Memória
Estréia como solista da OSESP > Teatro São Pedro, São Paulo, 2 de abril de 1977
Concerto de Ravel em Londrina
Dichterliebe > Fernando Portari e Fábio Caramuru na Sala São Paulo (novembro de 2008)
Tom Jobim 80 Anos > Espaço Cultural Correios, Rio de Janeiro, 2007
Festival idealizado e dirigido por Fábio Caramuru, realizado no Espaço Cultural Correios do Rio de Janeiro em março de 2007
O Festival Tom Jobim 80 Anos aconteceu entre os dias 21 e 25 de março no Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro – CCC / RJ, com patrocínio exclusivo dos Correios e produção da Echo Promoções Artísticas Ltda. Idealizada pelo pianista, arranjador e produtor Fábio Caramuru, a programação teve cinco atrações musicais, apresentando um conjunto de 71 composições de Tom Jobim, nas vozes de Paula Morelenbaum, Muiza Adnet, Mario Adnet, Vânia Bastos, Alaíde Costa, apresentando solos dos pianistas João Carlos Assis Brasil e Fábio Caramuru, entre outros instrumentistas. A vida e a obra de Tom Jobim foi, ainda, comentada em mesa-redonda por Julio Medaglia, Lorenzo Mammi e Arthur Nestrovski.
Moods Reflections Moods > 2004
Projeto gráfico > Guto Lacaz
Moods Reflections Moods (2004 – ECHO 204)
Primeiro CD autoral do pianista Fábio Caramuru, lançado em 2004 pela Echo. Nesse CD com 10 faixas, Fábio Caramuru rompe com a tradição da interpretação erudita, voltando-se para um trabalho de livre improvisação. A gravação foi feita em uma única sessão num piano Steinway, modelo D-Concerto, alcançando um alto nível técnico. O CD marca o início do aprofundamento do estilo pessoal do pianista, lançando-o como compositor. Gravação feita pelo Estúdio do Gato no Espaço Promon, em 22/12/2003. O Projeto gráfico é de Guto Lacaz.
Matéria escrita por Jerome Vonk, publicada na Gazeta Mercantil em 17 de abril de 2004:
Fábio Caramuru é um cara muito corajoso.
Em um dos momentos mais negros da indústria fonográfica brasileira, cujo mercado está sendo destruído a golpes de pirataria física e de concorrência predatória, ele resolve lançar um CD que nenhuma gravadora, seja independente ou multinacional, teria a coragem de distribuir no minguado circuito comercial.
Moods, Reflections, Moods traz uma música difícil de se rotular, o que é usualmente considerado um sacrilégio – e um suicídio mercadológico – nesta época onde já recebemos tudo pré-mastigado, etiquetado e com as sempre detalhadas instruções de uso, para não se fazer feio. Não é jazz nem música erudita (no sentido estrito de suas possíveis definições); não vai tocar na trilha da novela nem passar no rádio. Se, ainda assim, alguém mais angustiado precisar de uma definição, música para quem tem ouvidos seria uma sugestão adequada.
Aluno aplicado de grandes mestres e tendo-se aperfeiçoado com Magda Tagliaferro (com bolsa oferecida pelo governo francês), Fábio Caramuru colecionou vários prêmios aqui e acolá, procurando conhecer a fundo todas as regras para que mais tarde – ainda que não o soubesse – pudesse transgredi-las de maneira integral. Em Moods, Reflections, Moods, ele cristaliza esta sua transformação e deixa evidente sua conquista particular: mais do que livre de, ele está livre para.
Face a face com um piano Steinway modelo D concerto, o CD foi gravado durante uma única sessão de absoluto improviso, sem retoques posteriores de qualquer natureza. E o resultado concreto, para o consumidor final? No meu caso, o disco já faz parte de um pequeno e seleto repertório de cabeceira, e tem como vizinhos Sobre Todas as Coisas, de Zizi Possi, A Love Supreme, de John Coltrane e várias canções de Jacques Brel entre outros.
Moods, Reflections, Moods é o seu quinto disco (vale a pena frisar o interessante projeto gráfico – de extrema simplicidade e bom gosto ímpar – do sempre competente Guto Lacaz); os anteriores são “Tom Jobim Piano Solo” (1997), “Especiarias do Piano Paulista” (1999), “Dó Ré Mi Fon Fon – 27 cantigas brasileiras” (2002) e “Magda Tagliaferro Fest – Canções de Richard Rodgers – com Magda Painno” (2004).
Esta nova história que Fábio Caramuru nos conta através das notas musicais vai ser re-contada no próximo dia 21. E aqui, mais uma vez, o já estabelecido cede sua vez ao inusitado: ao invés de se apresentar ao vivo e registrar sua improvisação em um CD, ele se propõe interpretar o que já está gravado, sem partitura – já que ela não existe. Mas isto ainda não o satisfaz plenamente, e ele resolveu convidar – para esta apresentação especial – Pedro Baldanza, contrabaixista de música popular (a título de referência, ele tocou com Elis Regina, Gal Costa, Ney Matogrosso, Marina etc.). A parceria é, no mínimo, inusitada – e o desafio não é mera bravata, pois o respeitável público está sendo gentilmente convidado (a entrada é franca).
Se eu tivesse que resumir em uma palavra Moods, Reflections, Moods – em tempos de insossas manifestações artísticas globalizadas e de indistintos genéricos – eu optaria por personalidade. Parabéns, Fábio Caramuru! É muito bom ouvir um CD sem prazo determinado de validade.
CD Especiarias do Piano Paulista > 1999
Obras de Tia Inah e Camargo Guarnieri / Projeto gráfico de Beth Bento
O Piano bem temperado de Fábio Caramuru
Terezinha Tagé
Jornal A Tribuna “Caderno Galeria”F3, 19 de novembro de 2000.Santos/SP
As contribuições para o resgate de nossa música do ponto de vista histórico e cultural não são muito comuns. Tanto no campo do que se convencionou chamar de composições eruditas quanto no que se considera como popular no senso comum, continuam sendo raras as oportunidades de conhecimento e fruição de sua beleza. Felizmente, artistas de rara sensibilidade como o pianista Fábio Caramuru apresentam seu trabalho para nos consolar e enriquecer.
Quem quiser confirmar estas afirmações basta ouvir as peças que ele interpreta no CD intitulado “Especiarias do Piano Paulista”. Trata-se de uma seleção de peças de dois nomes representativos do jeito paulista de ser brasileiro: Morzart Camargo Guarnieri e a Inah Machado Sandoval ( ou “tia Inah”). São compositores diferentes em estilo, porém complementares na sua condição de criadores de um universo particular em nosso país.
Nas palavras de Fábio Caramuru “A idéia de realizar estes registros sonoro surgiu de uma antiga vontade de homenagear dois contemporâneos muito queridos … Apesar de haver um grande contraste entre as duas concepções musicais – Tia Inah uma compositora intuitiva, feminina, essencial, e Camargo Guarnieri, complexo, viril e de grande sofisticação contrapontística – ambos têm em comum o fato de serem paulistas, contemporâneos e traduzirem com igual competência em domínios distintos, aspectos da alma musical de São Paulo”.
Esta consciência de estar guardando na memória cultural uma arte voltada para nosso autodescobrimento (ou auto-achamento como dizem os portugueses) como seres pertencentes a um conjunto de sentidos locais que nos integram em parâmetros mundializados, pontos para iluminar o planeta, faz deste artistas, um embaixador de nossa música a partir de seus projetos e de seu conseqüente sucesso. Como bom arquiteto, formação que ele também possui, Fábio planeja cada passo de suas interpretações construindo castelos de sons e harmonias em seu instrumento encantando: o piano.
O caminho percorrido por este intérprete brasileiro sempre foi pautado pela elegância, competência e simplicidade de alma, componentes de difícil integração entre os artistas que chegaram a um nível tão elevado de reconhecimento.
Além de inúmeros prêmios recebidos, como por exemplo o “Concurso Nacional Camargo Guarnieri”, entre outros, obteve em 1980 bolsa do governo francês para aprimoramento em Paris com Magda Tagliaferro. Em 1990 assumiu a coordenação artística dos projetos da Fundação Magda Tagliaferro e em 1991 foi contemplado com o “Grande Prêmio da Crítica” da APCA, na área da música. Em 1997 lançou o CD “Tom Jobim Piano Solo”, dedicado ao compositor carioca, com arranjos próprios. Este mesmo tema foi objeto de sua Dissertação de Mestrado em musicologia defendida na ECA/USP, sob a orientação do Professor Almicar Zani. Esta vida dedicada à música em todos os seus tons, já levou Fábio Caramuru a recitais e conferências na Alemanha, França, Estados Unidos, sempre divulgando a música brasileira, inserindo-se em contextos da cultura mundializada.
Este aspecto relativo à nossa produção musical está altamente representado no CD que reúne os dois criadores da arte paulista com estas “especiarias”, segundo o título que permitem ouvir um piano bem temperado. As composições de Inah Sandoval (nascida em 1906), que carinhosamente ficou conhecida como “Tia Inah”, trazem a marca de um mundo brejeiro, românticos, dos saraus paulistanos, das ruas movimentadas, dos quintais antigos onde as crianças brincavam e dos namoros nos jardins dos casarões. Uma forma de beleza brasileira que só estes ritmos e sons conseguem registrar para a história dos sentimentos e do imaginário que trazemos em nós. Esta riqueza nos alimenta e fortalece em tempos de apagamento e diluição de nossos valores. São gestos de resistência cultural. A leitura de Fábio contribue para esta causa. Ele recria os ritmos das valsas e chorinhos e declara “… procurei interpretar suas composições com aquela delicadeza e muito carinho que existem na pessoa e nas obras desta excepcional compositora.”
O outro artista homenageado neste Cd é Morzart Camargo Guarnieri (1907-1993). Foi um pesquisador muito importante de nossos ritmos durante toda a sua vida, desde a convivência com seu mestre Mário de Andrade, quanto muito jovem, passando por momentos decisivos na História da Música Brasileira.
As peças selecionadas neste CD demonstram a preocupação do ilustre compositor paulista em criar uma produção musical voltada para nossas raízes e símbolos de origem indígena, na tradição da alma cabocla e na estética originada nos ritmos africanos. Sua arte era plena de emoção “nacional e não nacionalista” conforme suas próprias palavras.
No conjunto de composições selecionadas entre estas especiarias paulistas, ainda encontramos peças onde o piano se faz acompanhar por outros instrumentos e intérpretes como a percusionista Chica Brother, o violinista Edson José Alves, a flauta de José Ananias, clarinete de Daniel Cornejo, o acordeão de Sérgio Bizetti que também assina os arranjos e a produção, além de um grupo técnica de excelência, sempre dirigido pelo próprio Fábio Caramuru.
Enquanto houver iniciativas deste porte nossa cultura estará preservada para integrar às riquezas da vida humana no universo.
http://www.entretextos.jor.br/textos.asp?idtexto=2&idmenu=3









Projeto idealizado e dirigido por Fábio Caramuru, realizado no CCBB de São Paulo em Setembro de 2008.
















